Vania Rodrigues

Preciosas amenidades da vida

Arquivo para Junho, 2008

AOS VIAJANTES

Viajar é uma coisa deliciosa, que nos renova a alma, nos dá oportunidade de ampliar conhecimentos, conhecer e interagir com pessoas de diferentes tipos, seja aqui ou no exterior. Para mim, toda viagem tem cheiro, sabor e histórias. Passo aqui umas poucas experiências adquiridas em algumas divertidas e inesquecíveis viagens, fiquem à vontade para segui-las ou não, são todas experiências veridicas.

1- Quando em uma cidade estranha, não esqueca de anotar o nome do hotel e endereço onde está hospedado, para não acontecer de vagar de madrugada, num táxi cujo motorista também não conhece bem a cidade. Creia-me é assustador. (Curitiba )

2-Se estiver viajando de carro, não tenha a bela idéia de comer paçoca de carne de sol. O carro, dirigido por seu irmão, pode cair num buraco e voar paçoca para todos os lados, principalmente em seu cunhado. ( Bahia-Brasilia)

3- Ainda de carro, leve sempre água, lanchinhos e papel higiênico para o caso do seu carro ficar preso no nada durante horas, sol a pino devido a uma enorme carreta (Açu-Mossoró)

4- E se a viagem de carro ocorrer nos EUA, cuidado com o leite que dá aos seus filhos, ele pode não cair bem. E se você aceitar o conselho de levar saquinho de supermercado para o vômito do seu filho, saiba que lá todos os saquinhos vem com furos, e você vai levar um susto quando lá para as tantas o conteúdo malcheiroso escorrer pelos pés de todos na van, gerando protestos e risadas, além de lhe considerarem lesinha. (Lake Placid-Orlando)

5-Se for de avião, não confie no lanchinho prometido pelas companhias aéreas. Leve sempre um delicioso croassant recheado, mesmo sobre protestos da sua irmã (ela também vai comer). Melhor do que passar mal de fome e ter de chamar o comissário dizendo-se quase em coma de fome. Saiba que as vezes os aviões ficam horas na pista e você lá no seco, passando mal na aeronave. (São Paulo- Natal)

6- E nunca viaje largadona, vá sempre basiquinha, mas com estilo. Você pode ser entrevistada no aeroporto para o jornal da Globo (é o maximo). (Rio-Natal)

7-Se resolver encarar um ônibus, principalmente no NE, viaje de lingerie preta, estilo grande e bem comportado. Essa não foi comigo, mas os ladrões inventaram moda de deixar os passageiros em trajes íntimos. E tem cada coisa que não é bom nem falar.

8- Ah, e se você estiver voltando do exterior, lembre-se de que os papéis que recebe no avião devem estar à mão. Ao invés de colocá-lo no fundo de uma mala enorme e bem recheada, para não ter de abri-la, ajoelhada em pleno chek-in pagando o maior mico, principalmente se seu marido estiver do lado, ele não vai achar engracado. (Buenos Aires- São Paulo)

9-Se estiver em Salvador, cuidado com as comidas, você pode correr o risco de ficar esquecida no toalete, enquanto seu nome é insistentemente chamado para embarque, essa foi com uma sobrinha que não posso dizer o nome. (Salvador-Natal)

10- Se for aos Estados Unidos, lembre de não levar aquelas cadeiras de rede, e deixar aquele pau que serve de apoio para a pobre de sua irmã ter que explicar ao mal humorado da imigracão :”it’s a tree chair”, enquanto você já está lá do outro lado rindo e mangando, para não correr o risco dela querer dar uma paulada de leve em você. (Orlando).

11- E, por fim, se for a Nova York, cuidado para não pisar no côco do cavalo da polícia, e trazer o tênis sujo ensacado e fedorento de presente para sua mãe, como fez minha filha.(Nova York-São Paulo)

DO QUE ME LEMBRO

Esta semana minha sogra, e graças a Deus por ter sogra, está completando 80 anos. Muito tempo para aprender, dividir e ensinar às pessoas que a cercam. D. Brasília é como a chamamos, sempre foi uma pessoa doce e carinhosa, quase sempre sorridente e muito, mas muito trabalhadeira. Se existiram para mim modelos de esposa, certamente ela foi um quase perfeito. Como esposa de Obery, sempre atenta aos detalhes de suas nescessidades.

D. Brasília teve 11 filhos. Wilson, seu filho homem mais novo, é o que mais gosto, e vejo nele o caráter de sua mãe, sempre pronto a servir e zelar por aqueles que lhe cercam. Hoje além de seus netos, D. Brasília já tem bisnetos. O mais interessante, é que ela é uma unanimidade a todos que a conhecem. Nunca ouvi, em todos os anos que faço parte (e com orgulho) desta grande familia, uma única pessoa que falasse algo desabonador dela, ao contrário, é através dela que nos mantemos sempre ao redor da sua mesa.

Durante anos, ela nos presenteou com seu maravilhosos dotes culinários, quem não lembra do seu bolo de rolo? Do bacalhau espiritual? E a melhor tapioca que já comemos na vida? Pessoa amável e elegante, sempre tratou-nos com carinho, claro que as vezes teve lá seus momentos de pequenas e rápidas iras, mas tudo muito, muito rápido.

Hoje D. Brasília anda meio esquecida e perdida em um mundo em que não estamos na maior parte das vezes. Ela tem Alzhaimer, triste doença, mais para nós do que para ela. Afinal, se ela não sente tanto nossa falta, nós a sentimos todos os momentos. Do que me lembro? Do seu sorriso, sempre, e do seu amor. Beijo D. Brasília, e feliz aniversário.

MULHER CENTOPÉIA

Tem uma expressão que uso muito é Fazer Sapatoterapia. Não se assustem, não fui eu (infelizmente ) quem inventou a expressão, mas incorporei aos passeios semanais que faço com minha filha, ou minha irmã, ou prima, ou mamãe, ou amigas, enfim com quem puder e quiser me acompanhar pelo menos na sexta à tarde, quando estou de folga do trabalho. É uma terapia dificil de ser seguida por meu marido, já meu cunhado Elcy ou meu amigo Kleber adoram e pacientemente acompanham suas mulheres, filhas, cunhadas ou irmãs.

Não se trata propriamente de comprar sapatos, mas de vê-los, prová-los, comparar preços e seu conforto. Se você tiver dinheiro, não faz mal algum em levar pelo menos um parzinho para casa. Não entro em uma loja que tenha um bonito que não queira provar, faz um bem…. E lançameto de colecão? Adoro quando me convidam e fico lá toda paparicada, com direito a champagne e divertimentos de boca, une-se o agradável ao maravilhoso.

Tive notícia de minha tia Didi e tia Detinha, que aos 2 anos de idade, minha mãe pediu a elas que me comprassem um par de sandálias X, previamente escolhido por ela e já com o dinheiro separado para a compra, me levaram ao Meier, bairro carioca. Lá chegando, tentaram provar a dita sandália, mas eu já tinha o vírus de Centopéia, e eu não deixava entrar no pé de jeito nenhum, entortava o pé de um lado para outro pois ja havia me apaixonado por outro par de sandálias obviamente mais bonito e também mais caro. Então minhas queridas tias, maravilhosas, pagaram a diferenca e levaram a sandália por mim escolhida.

Quase todas as mulheres que conheço, tem esta síndrome de Centopéia, aquela lagarta com cem pés, pois nunca tem sapatos ou sandálias (altinhas, altonas, rasteiras, tênis, etc) suficientes. Esta sexta-feira, minha mãe esta completando 71 anos e claro que comprei, juntamente com minha filha, um par de sandálias peep toe. Foi com ela, que aprendemos a amar sapatoterapia. Acho que todas nós e também os homens (por que não), deveriam fazer uso desta terapia, e para complementá-la, um cafézinho vai bem.