Elas podem conter tudo ou nada, usadas durante toda nossa vida se tornam essenciais em muitos momentos. Por exemplo, se seu closet se acabar debaixo de um vazamento de água, elas podem lhe salvar do aperto, ao mesmo tempo que lhe darão uma sensação de apertado caos.
Nelas jogamos bonecas, pequenas coleções, escritos, velhas cartas, livros, sapatos, sandálias, bolsas, bijuterias, óculos, chocolates, retratos bons ou horrorosos, cds, vinis, lembrancinhas de nascimento, lembrancinhas de quinze anos, lembrancinhas de noivado e também de casamento. São esquecidas dentro delas antigas encharpes e pashiminas, lenços, taças de celebração à vida, lingeries, confortáveis pantufas e pijamas, antigos amores, pessimos companheiros ou amigos, receitas inuteis que copiamos e nunca executamos, radiografias de mazelas, propósitos de academia e dietas, livros chatos, livros bons, nego bom, mariola e cocada. E os vestidos? De festa, de enterro, de ficar largadona, os velhos e novos jeans, as pulseiras, as mascaras e frufus, roupas de dança, meias.
Nós somos como caixas onde sempre estamos depositando experiências diárias de vida, amigos, sentimentos bons e maus, orações e petições a Deus, tristezas e alegrias, sucessos e derrotas, dores e disposicões, exigências e condescendências, preocupacões e desocupacões da mente. Depositamos e nos deixamos depositar as ansiedades que não podemos resolver, as esperanças nossas, de nossos filhos e sobrinhos, compartilhamos a alegria de ver outra vez o milagre de nascimento de crianças em nossa familia e de agregados ( parabens a Davi e Michelle), o vestido de noiva ( tá pertinho Lizia), vestidos de damas ( Ana Paula e Sara), os apetrechos de minhas corujices, as peças de lego que pertenceram à infância (Flávio). E podemos esquecer se quisermos, lá no fundão de uma caixa preta, nossos aborrecimentos e frustrações, aquelas coisas chatas que so servem para nos trazer peso na alma e rugas na testa. Mas as caixas estão sempre dispostas e prontas a serem preenchidas, nos cabe selecionar o que colocar, e nos lembrar sem querer ser chata ou pragmática, que mais cedo ou mais tarde, estaremos todos dentro de uma big caixa.
Que reflexao…